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Pulmão furado?

Por Guillermo Alvarado

A atividade insensata do ser humano e as ambições perniciosas das grandes multinacionais estão provocando uma das piores tragédias de nossa espécie: o sumiço de enormes florestas que coloca em dúvida nosso futuro e a existência da vida em nosso planeta.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura – FAO – a cada ano desaparecem, no mundo, 13 milhões de hectares de terreno plantado de árvores, um número espantoso que ameaça eliminar esta reserva que tem a ver com a nossa vida mesma.

As zonas tropicais são as que correm o pior risco: representam 1,6 bilhões de hectares de selva do total de quatro bilhões existentes e, no ritmo atual, poderiam sumir totalmente dentro de 50 ou 70 anos.

Segundo os especialistas, o desmatamento é um fenômeno negativo causado pela atividade do homem, tanto pela extensão das áreas cultiváveis quanto pela exploração intensiva e anárquica da madeira, a indústria mineradora, subterrânea ou a céu aberto, e a urbanização.

Em nosso continente, a região mais castigada é a Amazônia, considerada um dos principais pulmões do mundo com 500 milhões de hectares que constituem o maior ecossistema de todo o planeta, com uns 390 bilhões de árvores de ao redor de 16 mil espécies diferentes.

Não há nenhuma dúvida da importância das florestas na luta contra a mudança climática e o aquecimento global.

Na Amazônia se armazenam os principais recursos de água doce do mundo e de lá são enviados à atmosfera uns 20 bilhões de toneladas de vapor ao dia, indispensáveis para a formação de nuvens e, portanto, para a ocorrência de chuvas. Desde 1970 se perdeu 20 % de sua superfície e para 2050 o dano poderia chegar a 70 por cento por culpa das políticas erradas e a depredação das multinacionais.

Arnaud Gauffier, membro do Fundo Mundial para a natureza, assinalou que a situação política do Brasil influi nessa tragédia. A maior fatia do apoio que recebe o presidente imposto Michel Temer vem de grandes consórcios agrícolas assentados no norte do país, que desmatam de maneira intensiva. Várias políticas do governo estão norteadas para favorecer estes empresários em prejuízo do meio ambiente.

Durante a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, de 2003 e 2010, o desmatamento foi brecado de maneira drástica graças a medidas públicas audazes para preservar a Amazônia e, sobretudo, para visibilizar o tema em nível mundial.

É uma questão de bom senso, mas também de compromissos governamentais e internacionais. Os países ricos consumiram irresponsavelmente seus próprios recursos. Por exemplo, na Europa, só existe, hoje em dia, 0,3 por cento dos bosques que havia há oito mil anos, contra 69 por cento das florestas no Brasil.

Preservar o pulmão amazônico, quase furado, é um compromisso de todos com respeito, soberania e convivência civilizada. Infelizmente, nossa espécie ainda não está preparada para um compromisso nesses termos.

Editado por Maite González Martínez
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