
Argentinos se preparam para novos protestos contra o governo
Por María Josefina Arce
No mês que acaba de começar, os argentinos se preparam para novas ações contra o forte ajuste econômico do governo do presidente Javier Milei, que em pouco mais de um ano não levou a uma melhoria de vida, mas a mais pobreza, desigualdade e grande incerteza entre a população.
Vários protestos foram anunciados para os próximos dias. O Sindicato dos Trabalhadores Aposentados em Luta voltará às ruas em sua tradicional marcha de quarta-feira em defesa de seus direitos.
Essa manifestação ocorrerá em meio a um clima de tensão, levando em conta a repressão policial às últimas manifestações desse setor, um dos mais prejudicados pela política econômica de Milei, que em setembro passado vetou uma lei aprovada pelo Congresso para aumentar o montante mínimo das aposentadorias.
A Confederação Geral do Trabalho também fará uma greve geral de 24 horas nos próximos dias, o que seria a terceira ação desse tipo convocada por essa organização contra o atual inquilino da Casa Rosada.
A primeira greve geral ocorreu em janeiro de 2024, a mais rápida contra um governo desde 1983. A segunda ocorreu alguns meses depois, em maio, e teve amplo apoio.
A verdade é que o descontentamento popular está crescendo a cada dia, e começa a se refletir nas pesquisas de opinião. Sessenta e um por cento dos argentinos não concordam com o rumo que as coisas estão tomando no país sul-americano.
Uma pesquisa de Satisfação Política e Opinião Pública feita em março, pela Universidade de San Andrés, mostrou que a imagem negativa do presidente é de 51%.
Em meio a esse contexto, a sociedade está preocupada com a possibilidade de o governo recorrer a um novo empréstimo do Fundo Monetário Internacional, dada a relação negativa do país com essa organização, conhecida por suas terapias de choque.
As autoridades solicitaram ao FMI um empréstimo de US$ 20 bilhões, que ainda não foi aprovado pelo conselho da instituição financeira.
Os argentinos estão saindo às ruas em defesa de seus direitos, que foram consideravelmente violados desde que Javier Milei assumiu a presidência da Argentina em dezembro de 2023. No país sul-americano, atualmente mais de um terço da população vive na pobreza e áreas essenciais como saúde e educação sofreram cortes orçamentários draconianos.