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Havana, 19 de fevereiro (RHC) A incursão disruptiva da Inteligência Artificial (IA) no setor editorial foi o tema da palestra do Projeto Cuba Digital na 33ª Feira Internacional do Livro de Havana, na quarta-feira.
Durante a palestra, no Forte San Carlos de la Cabaña, o poeta e assessor do Instituto Cubano do Livro (ICL) Josué Pérez, expôs as perspectivas do sistema editorial cubano. A especulação atual é se a IA é uma ferramenta, se mudará o que conhecemos ou o destruirá; isso também aconteceu com o livro digital, explicou o palestrante.
Pérez conceituou os termos Inteligência Artificial, seus tipos, redes neurais, processamento de linguagem natural, visão computacional e robótica.
Explicou que esses programas estão transformando a indústria editorial; as empresas podem usá-los para escrever, editar, anunciar ou realizar funções administrativas.
De acordo com os dados fornecidos pelo consultor do ICL, em 2023, 47% das editoras de livros sediadas nos EUA usaram esses programas no design e gestão de marketing; 25% para trabalho editorial e 12% na geração de conteúdo.
Neste instante, a IA está sendo usada para criar mais de uma dúzia de livros em poucos dias e vendê-los em plataformas como Amazon como se tivessem sido produzidos há seis meses, destacou Perez.
Detalhou que a maioria dos profissionais da edição de livros tem pavor da IA generativa porque sua versatilidade poderia causar o colapso do setor.
Consultada sobre esse dilema, a própria IA retorna que, embora esteja transformando as editoras ao automatizar tarefas, melhorar a eficiência e reduzir custos, a criatividade humana ainda é inestimável para trazer originalidade e perspectiva única.
Em Cuba, o meio de comunicação Cubadebate cria artigos baseados em IA, e a revista Alma Mater também se envolveu com isso; a editora Nuevo Milenio está desenvolvendo ensaios sobre o assunto, embora ainda não o implemente oficialmente.
No final da palestra, Josué Pérez fez várias observações interessantes.
Atualmente, as editoras cubanas não têm os meios para usar inteligências artificiais pagas, mas podem aproveitar as de código aberto para acompanhar o processo criativo.
Usá-la no design, layout, traduções, correções e edição pode economizar entre 20% e 70% do tempo e dos custos, dependendo das ferramentas e dos serviços utilizados.
Isso contribuirá significativamente para a política de subvenção do Estado, embora o ideal seja desenvolver inteligências artificiais que sejam adaptadas às necessidades de cada país, região ou editora.