
Por Guillermo Alvarado
Como as enquetes tinham anunciado, a democracia cristã com seus aliados social cristãos da Baviera atingiram a vitória nas eleições legislativas da Alemanha, enquanto a extrema direita foi consolidada como a segunda força política do país europeu.
Empurrados por graves retrocessos na na economia, com o desaparecimento de dezenas de milhares de empresas nos últimos quatro anos e uma fuga brutal de capital para fora, os cidadãos retiraram a confiança à social -democracia e seu líder, Olaf Scholz.
O provável próximo chanceler federal, Friedrich Merz, espera criar um novo governo o mais rápido possível para enfrentar os desafios internacionais do momento, notadamente a mudança de situação na guerra do leste europeu e o papel do novo presidente americano, Donald Trump.
O mundo exterior, disse ele, não vai esperar o desenvolvimento de longas negociações para formar coalizões, portanto deve-se agir rapidamente. Uma das razões para essa dificuldade é o bom resultado da extremista Alternativa para a Alemanha.
A organização liderada por Alice Weidel atingiu 20% de votos a seu favor, algo inédito naquele país europeu.
O partido neofascista e xenófobo recebeu todo o apoio do magnata sul-africano Elon Musk, que trabalha lado a lado com Trump na Casa Branca e é o artífice de severos cortes de empregos na administração pública, que atingem setores médios e baixos da população.
Até agora, Merz garantiu que nunca buscará uma aliança com o partido de extrema direita, mas de qualquer jeito a senhora Weidel terá uma força importante no Parlamento Federal.
Para a social-democracia alemã o resultado, com 16,5 pontos percentuais segundo os dados parciais, é o pior da sua história desde a II Guerra Mundial e os relega à terceira posição apenas acima de seus antigos aliados, os Verdes, que atingiram 13% dos votos.
Para as forças progressistas, representadas por Die Linke (A Esquerda), as eleições significaram uma subida até os 9 pontos, acima dos 4,9 obtidos em 2021.
Embora a Alemanha não for mais a locomotiva da União Europeia, ela ainda exerce uma grande influência no bloco integrador e aspira a manter sua posição como um interlocutor válido com os EUA.
Por enquanto, é muito simbólico que Trump tenha qualificado estas eleições como "jornada histórica" para a Alemanha, sem explicar se se referia à democracia cristã ou ao neofascismo.